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Archive for the ‘Museu dos Coches’ Category

Público (última hora), 29 de Dezembro de 2009

Associação considera “erro grave” transferência do Museu de Arqueologia para a Cordoaria

29.12.2009 – 15:33 Por Lusa

A Associação de Arqueólogos Portugueses considera “um erro grave” que a nova tutela do Ministério da Cultura mantenha a decisão de transferir o Museu Nacional de Arqueologia do Mosteiro dos Jerónimos para a Cordoaria Nacional.

A direcção da associação foi recebida segunda-feira em audiência pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, a quem apresentou diversas questões relacionadas com a salvaguarda e investigação do património arqueológico e com a situação profissional dos especialistas do sector.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da direcção da Associação de Arqueólogos Portugueses (AAP), José Morais Arnaud, saudou a “postura de diálogo aberto e franco” da nova ministra da Cultura, que gerou “grande expectativa” para o futuro. Porém, a direcção da AAP foi confrontada com a intenção da nova tutela em manter a decisão “injustificada, despesista e, do ponto de vista técnico, muito negativa” de transferir o museu da ala sul do Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, “onde se encontra há mais de cem anos”, para a Cordoaria Nacional, na Junqueira.

“É um erro grave porque implica uma despesa enorme. Além disso, o edifício da Cordoaria encontra-se numa zona de elevado risco sísmico, é um local de difícil acesso e tem dificuldades de estacionamento”, argumentou José Morais Arnaud.

Com esta deslocalização, o presidente da AAP considera que os visitantes do museu “vão decerto diminuir”, e defende que “faria mais sentido e seria mais barato a criação de um edifício de raiz” para o museu que acolhe um acervo do património arqueológico do país.

A anterior tutela, liderada por José António Pinto Ribeiro, tinha anunciado no início deste ano a saída do Museu Nacional de Arqueologia para permitir a expansão do Museu de Marinha, tutelado pelo Ministério da Defesa, decisão que veio gerar polémica e foi até alvo de uma manifestação em Lisboa, também contra o novo museu dos Coches.

A AAP comunicou ainda à ministra da Cultura preocupações relativas aos serviços do antigo Instituto Português de Arqueologia, extinto há três anos, nomeadamente no destino a dar aos laboratórios, arquivo e biblioteca de arqueologia.

De acordo com o presidente da entidade, outras questões focadas no encontro com a tutela foram as da urgência na regulamentação da Lei do Património no que diz respeito à punição da destruição de bens patrimoniais, e do futuro modelo de gestão do centro de interpretação do Vale do Côa.

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Público, 27 de Setembro de 2009

Património do Côa “posto em risco”, alertam arqueólogos

Por Alexandra Prado Coelho

O sector critica hipótese de abrir espaço à arte contemporânea, como sugeriu o director do Igespar

“O Partido Socialista, que em 1996 salvou o património do Côa [as gravuras rupestres], está agora a pô-lo em risco.” O alerta parte de José Morais Arnaut, presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP), numa reacção às declarações do director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). Em entrevista ao PÚBLICO no dia 23, Elísio Summavielle defendeu que o Museu do Côa, cuja inauguração está prevista para breve, deve abrir-se também à arte contemporânea.”Isso é uma perversão completa do que deve ser a missão principal daquele museu, que é a de estudar e divulgar um património que é da Humanidade”, diz Morais Arnaud.

Se há 15 anos se tomou a decisão de não construir a barragem e de salvar as gravuras, o que tornou Portugal “o centro da arte rupestre a nível mundial”, o presidente da AAP não compreende por que é que depois não se apostou seriamente no Côa, criando um “núcleo de investigação científica” e fazendo do museu o “motor da divulgação do património”.

Maria Ramalho, arqueóloga e técnica do Igespar, num texto divulgado na sequência da entrevista de Summavielle, lembra que “este assunto [o Côa] foi importante para um outro Governo do mesmo partido, a milhares de anos-luz da situação presente”. E critica “as intenções expressas pelo [actual] Governo de reduzir o património apenas ao seu valor económico” – numa referência às propostas do Ministério da Cultura para um modelo de gestão do Museu do Côa com o Estado e privados.

A preocupação é partilhada por Maria José de Almeida, que preside à Associação Profissional de Arqueólogos (APA): “Estamos muito preocupados com alguns sinais de que o Estado possa estar a descartar a responsabilidade [sobre a gestão do Côa] para as instituições locais”. Este é um património “não apenas local ou regional, mas mundial”, e por isso tem que haver “uma regulação” estatal.

Os arqueólogos mostram-se também indignados com as afirmações do director do Igespar, segundo as quais a contestação à política do Governo para a Arqueologia seria “localizada”. “Isso é uma prova clara de que [Summavielle] não conhece a realidade”, diz Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia, garantindo que “a contestação é generalizada”.

Maria José de Almeida lamenta que o Governo não tenha querido ouvir os arqueólogos. “Há um descontentamento por não sermos vistos como parte da solução”. Morais Arnaut explica que o desinvestimento na Arqueologia começou com o plano de reestruturação da administração pública (Prace) e a extinção do Instituto do Português de Arqueologia, que “era uma estrutura leve e flexível e foi integrado [no Igespar] numa estrutura com um peso burocrático muito maior”. O resultado é a sobreposição de competências entre as direcções regionais de Cultura e o Igespar, a “falta de meios”, e, ao mesmo tempo, “duplicações inaceitáveis, com esbanjamento de recursos”.

Quanto à construção do novo Museu dos Coches, em Belém (que implica a saída do local de serviços de Arqueologia que vão para a Cordoaria Nacional), Luís Raposo diz que Summavielle “reconheceu o óbvio: que o processo está parado”. “A questão de fundo mantém-se – avisa -, e é um problema bicudo para o próximo Governo resolver.”

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