Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘João Oliveira’

Numa segunda ronda de intervenção dos representantes dos partidos políticos, foi dada a palavra em primeiro lugar ao representante do PS, por este ter sido o mais criticado pela sua actuação nos últimos quatro anos. João Pedro Cunha Ribeiro refutou com veemência as críticas de que o seu partido foi alvo unânime, não só por parte dos representantes dos outros partidos, mas também pela generalidade dos presentes, admitindo que nem tudo terá corrido da melhor forma, mas reafirmando que o seu objectivo tinha sido por a arqueologia ao serviço das populações e não dos interesses corporativos dos arqueólogos, afirmação que foi fortemente contestada pelos arqueólogos presentes, que a consideraram injusta e demagógica.

Seguiu-se o representante do PCP, João Oliveira, que salientou o facto de a promessa do PS de atribuir 1% do PIB para a Cultura ter sido posta de parte no programa do PS, embora se afirme a intenção de “reforço dos meios materiais e humanos”, e reforçou a importância decisiva do papel dos serviços do Estado nesta área. Alertou ainda para o facto de a Gruta do Escoural, a única do país com pinturas paleolíticas, estar encerrada ao público há imenso tempo por falta contratação de dois funcionários, e para a grave situação em que se encontram os monumentos da cidade de Évora, classificada como Património da Humanidade, como exemplos da incúria a que tem sido votado o Património Cultural, nos últimos anos, por parte do PS.

Por sua vez, o representante do Bloco de Esquerda, Cláudio Torres, atribuiu em grande parte o falhanço da fusão da DGEMN, do IPA e do IPPAR à falta de financiamento, o que conduziu à paralização do IGESPAR, e chamou ainda a atenção para a necessidade de se defender a terra, a agricultura tradicional e as tradições marítimas, como forma de sustentação do património natural e cultural.

Francisco Madeira Lopes, do PEV, afirmou que era preciso coragem para admitir os erros cometidos, e procurar mudar o que está mal, ouvindo para o efeito os parceiros sociais, e por vezes recuar um passo, para depois avançar com maior firmeza no caminho certo. Afirmou ainda que é fundamental um empenhamento da parte da classe política na defesa de um património que a todos pertence, e também o investimento nas regiões mais desfavorecidas, para evitar o despovoamento. Referiu ainda não ser possível deixar de falar com os arqueólogos, se se querem de facto resolver os problemas do sector.

A representante do PSD, Zita Seabra, começou por afirmar a sua satisfação por ter participado num dos raros debates com os sectores profissionais directamente envolvidos na defesa da coisa pública, os quais são fundamentais, sobretudo numa altura em que os cidadãos são chamados a exercer o seu direito de voto. Manifestou em seguida estranheza pelo facto de João Pedro Cunha Ribeiro, Subdirector ainda em funções do organismo responsável pela gestão do património arqueológico nos últimos anos, ter aceitado representar o Partido Socialista num debate de natureza política, o que, em seu entender levanta questões muito delicadas. Felicitou os arqueólogos presentes pela forma corajosa como se exprimiram, pois a liberdade de expressão é um valor que muito preza, e lamentou a forma “terrível” como o representante do PS afirmou ter “registado” essas intervenções.

O representante do CDS-PP, Diogo Henriques, começou por referir que o que está em causa é a discussão da função do Estado, pelo que não pode deixar de concordar com os apelos anteriormente feitos pelos representantes do PCP e do PEV no sentido de serem ouvidos os agentes culturais, sem os quais não é possível definir de uma forma consistente as políticas a por em prática nos respectivos sectores. Dirigindo-se, “olhos nos olhos”, ao representante do PS, afirmou só compreender a sua surpresa ao ver-se confrontado com as críticas unânimes à actuação do Ministério da Cultura no domínio do Património Cultural, não só dos partidos, mas de todos os presentes, pelo facto de só agora as estar a ouvir, pois o Ministro da Cultura recusou-se sempre a ir ao Parlamento falar sobre estas matérias. Aconselhou o representante do PS a ouvir as críticas, e a mudar de opinião, pois o próprio Ministro da Cultura o tem feito, a julgar pela forma como tem mudado de opinião sobre os mais variados assuntos.

A concluir, o Presidente da Associação, José Morais Arnaud, agradeceu a presença dos representantes dos partidos e de toda a assistência, e fez votos para que os próximos quatro anos sejam melhores para a arqueologia e o património cultural do que os que agora terminam.

Anúncios

Read Full Post »

João Oliveira

Após a realização de um sorteio, o debate foi iniciado por uma exposição do representante do PCP, João Oliveira, que salientou a necessidade de haver uma política cultural capaz de assegurar o pleno cumprimento das obrigações constitucionais do Estado em relação ao património cultural, a qual, em seu entender, o PS não foi capaz de implementar.

Referiu-se em seguida ao verdadeiro desastre que foi a fusão no IGESPAR do IPA, do IPPAR e da DGEMN, tornando completamente inoperativos serviços públicos de interesse nacional, e afirmou não acreditar que a inoperância actual desses serviços seja apenas resultado de incompetência, mas sim intencional, a fim de facilitar a actividade dos promotores imobiliários e dos grandes interesses económicos.

Criticou em seguida a sujeição da gestão do património a uma lógica mercantilista, o que constitui um sério entrave à defesa do património, bem como a falta de regulamentação da actividade das empresas de arqueologia, que em muitos casos estão na dependência de empresas de construção civil ou outras, numa inaceitável promiscuidade, que não assegura a indispensável independência técnica da actividade dos arqueólogos que estão ao seu serviço.

Sublinhou também que esta é uma das circunstâncias que mais tem contribuído para a elevada precariedade entre os profissionais do sector. Defendeu ainda uma estreita ligação da política cultural à educação e à ciência, e a criação de condições materiais para que todos os profissionais de arqueologia possam exercer a sua actividade dignamente.

Read Full Post »

Diário de Notícias, 18 de Setembro de 2009

dn

Clique sobre a imagem para a aumentar.

Read Full Post »